1.1. Rotativa: Os
componentes básicos do sistema
de perfuração rotativo
com circulação direta (existe
também o de circulação
reversa que não é utilizado
no Brasil) são torre, guincho,
mesa rotativa (sondas mecânicas)
ou cabeçote rotativo (sondas hidráulicas,
que dispensam o kelly e a mesa rotativa),
bomba de lama e coluna de perfuração.
A coluna ou ferramenta de perfuração é composta
por:
1.1.1. Kelly: fica
na parte exterior da coluna de ferramenta;
tem maior comprimento e espessura que
o hasteamento, possuindo a forma quadrada,
hexagonal, octagonal ou sulcada que se
encaixa em uma abertura de mesma forma
da mesa rotativa que irá girá-lo.
Na parte superior do kelly está encaixado
o swivel que transmite o fluido de perfuração
para o interior do kelly, em seguida
hasteamento até sair na broca.
1.1.2. Hasteamento: constitui
a parte mais longa da ferramenta de perfuração
e é composta de tubos reforçados
interna e externamente, com diâmetro
variando de acordo com o diâmetro
da perfuração.
1.1.3. Comandos: tubos
ainda mais espessos, reforçados
e de maior diâmetro que as hastes,
instalados na porção inferior
da ferramenta, que servem para dar peso
e direcionar verticalmente a perfuração.
1.1.4. Estabilizadores: peças
com diâmetros próximos ao
da perfuração acopladas
em várias posições
na ferramenta usadas para garantir calibragem
e verticalidade do furo.
1.1.5. Brocas: agente
cortante localizado no extremo da ferramenta
que possui várias configurações,
cada uma adequada para furar um tipo
de formação geológica.
Entre muitas variáveis, as mais
comuns são as tricones que diferenciam-se
genericamente em brocas de dente (formações
moles) e de botão (formações
duras).
1.2. Percussora: Os
componentes básicos da ferramenta
de perfuração percussora
são o cabo de aço que sustenta
e a ferramenta propriamente dita. Esta é composta
por:
1.2.1. Porta-cabo: Ferramenta
que tem como função prender
o cabo de aço para sustentar toda
a composição. Internamente,
o porta-cabo tem um mandril (onde o cabo é preso)
que altera sua posição
a cada batida do ferramental, fazendo-a
girar no sentido da torção
do cabo de aço. Com isto o ferramental
troca de posição a cada
batida, evitando que o trépano
bata sempre na mesma posição.
1.2.2. Percussor
ou Tijera ("tesoura" em
espanhol - são dois elos forjados
e temperados): É a segunda ferramenta
da composição de perfuração.
Sua função básica é destrancar
a ferramenta sempre que esta " prender" durante
a perfuração do poço.
Em algumas situações é possível
dispensar seu uso. Entretanto, recomenda-se
cautela, pois o percussor é uma
garantia de poder facilmente retomar
a perfuração com baixo
risco de pescaria por rompimento do
cabo de aço.
1.2.3. Haste
de Perfuração: É a
terceira ferramenta da composição
da perfuração. Tem como
função básica
dar peso e verticalidade ao conjunto.
A relação peso-diâmetro
do ferramental do poço é fundamental
para a velocidade de avanço
na perfuração. Normalmente
usa-se hastes de 360 a 450 kg para
poços de 6".
1.2.4. Trépano: Existe
mais de dez tipo diferentes de trépanos
de perfuração à percussão.
No Brasil utiliza-se normalmente três
tipos básicos.
TRÉPANOS
REGULARES: Forjado em aço
carbono, tem uma lâmina de corte
em forma de talhadeira, e é apontado
ou retificado sempre que perde diâmetro.
Este serviço é feito
junto a perfuratriz, e utiliza-se normalmente
um jogo de quatro trépanos como
forma de executar um rodízio,
para que não haja necessidade
de aguardar pelo apontamento. Este
apontamento é feito
aquecendo a ponta em uma pequena forja,
batido para voltar à medida
da perfuração, e temperado
com água.
TRÉPANOS
ESTRELA: É fabricado
em aço carbono, porém
recebe uma cobertura de aço-liga
por reposição. Tem sua
face de corte bem agressiva e em formato
de cruz, nome que também é dado
por alguns fabricantes. É utilizado
como substituto do trépano regular
em solos médio e altamente abrasivos.
A recuperação do diâmetro
na face de corte da-se por recobertura
de aço-liga através de
eletrodos especiais.
TRÉPANOS
DE BOTÕES: Fabricado
em aço alta-liga, possui alta
dureza externa e são recobertos
por insertos de tungstênio/cobalto
sinterizados de altíssima dureza.
São altamente eficientes em
rochas cristalinas, mas não
devem ser usados em material abrasivo.
O trépano de botão é afiado
arredondando-se novamente os botões
frontais afim de que possam melhor
distribuir o impacto da pancada.
Modernamente
tem sido utilizado o
TRÉPANO
DE CENTRO: Sua principal característica é a
perfuração simultânea
em dois diâmetros diferentes.
A face de corte maior (ex. 10")
são três linhas de impacto
recobertas por eletrodo alta-liga.
Ao centro projeta-se uma conexão
de rosca interna possibilitando a utilização
de uma série de ferramentas,
a saber:
-
Trépano comum: para manter a verticalidade.
-
Trépano de botões: para
a centralização da redução
nas alterações.
-
Haste de perfuração: para
reabertura de poços, fazendo com
que a haste funcione como guia.
Além
destes, existe ainda os Trépanos
Califórnia, Monoblock e Retificadores.
Consulte os fabricantes para identificar
o tipo de ferramenta que melhor adapta-se
ao serviço a ser executado.
1.3. Roto-pneumática: Os
componentes básicos de uma ferramenta
roto-pneumática podem ser os mesmos
utilizados na rotativa, com exceção
da broca tricônica, sendo esta
substituída por um martelo dow-the-hole
acoplado a um bit. Esta é composta
por:
1.3.1. Hastes (
vide 1.1.2 )
1.3.2. Comandos (
vide 1.1.3 )
1.3.3. Estabilizadores (
vide 1.1.4 )
1.3.4. Martelos
dow-the-hole: principal responsável
pela perfuração, é capaz
de gerar uma percussão de alta
frequência através de
um pistão interno acionado pelo
ar comprimido proveniente de um compressor
potente conectado a ferramenta de perfuração;
o pistão golpeia o bit localizado
na extremidade da ferramenta e este
rompe a rocha; sua especificação é condicionada
pelo diâmetro do furo.
1.3.5. Bits: peça
dotada de botões de metal duro
(carbeto de tungstênio) que fragmenta
a rocha ao golpeá-la; sua especificação é conforme
o tipo de rocha perfurada.
Autoria: Rogério
Pons da Silva |