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Mineração na região é mais focada em água mineral e brita

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A mineração não se resume somente na extração de pedras preciosas. A areia, a brita, argila e água mineral são componentes importantes para vários setores econômicos. Bauru, por exemplo, é o segundo maior arrecadador da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no Estado e só perde para Campos do Jordão na produção de água mineral. A única fábrica instalada em solo bauruense tem participação de 16% no Estado. O município de Águas de Santa Bárbara ocupa a 7.ª colocação com 5%.

Os números são da Secretaria de Energia e Mineração do Estado referentes a 2016. A exploração de água mineral no Estado de São Paulo está presente em 87 dos 645 municípios.

O seleto "grupo" de produtores de água é composto de 10 cidades, responsáveis por 82% do total só no ano passado. A mineração movimentou R$ 80 milhões em Bauru. Isso gerou uma arrecadação de R$ 16 milhão.

As empresas que atuam neste setor são obrigadas a recolher a CFEM junto à União, que repassa 65% desta receita aos municípios que têm firmas que exploram a atividade de mineração.

Mas não só a água mineral impulsiona a receita da CFEM. A areia e brita são dois componentes importantes na construção civil e nas pavimentação de ruas e estradas.

Lençóis Paulista, por exemplo, bateu Jundiaí, município na produção de pedras. A região foi responsável por 4% de toda a movimentação mineral do Estado, o que corresponde a R$ 123 milhões.

De acordo com a prefeitura de Lençóis, o município possui em funcionamento, desde 2007, uma pedreira que comercializa vários tipos de brita utilizadas na construção civil.

A produção mineral, próximo ao Distrito de Alfredo Guedes, é feita em uma jazida que já foi objeto de exploração e produção de brita na época de duplicação da Rodovia Marechal Rondon. De acordo com o gerente da empresa Lucas Antonio Lopes, a atual retração econômica reduziu a produção, mas há perspectiva do setor voltar a crescer. "A construção civil não para, além disso há projetos de duplicação de rodovias na região", diz.

Barra Bonita, Dois Córregos, Promissão, Lins, Cafelândia, Mineiros do Tietê e Sabino completam a lista dos dez maiores municípios mineradores que exercem atividades na região. Pederneiras, por exemplo, tem três pedreiras e seis portos de extração de areia.

O grande desafio é manter essas atividades gerando renda e empregos, sendo ambientalmente sustentável.

A cidade de Bofete, na região de Botucatu, é onde concentra mais de 10 portos de areia. A maior parte dessa produção abastece a região metropolitana de São Paulo.

O secretário de Turismo de Bofete, José Antonio Nicola, admite que essas grandes mineradoras garantem emprego e receita, mas há os problemas ambientais, embora faça questão de ressaltar que a legislação e fiscalização nos últimos é muito rigorosa.

O município elaborou o Ordenamento Territorial Geomineiro, espécie de Plano Diretor da Mineração que traça o diagnóstico do município para buscar uma produção mais equilibrada.

Pedreira garante receita em Lençóis

Na região de Bauru concentra várias empresas que extraem brita, muito utilizada para pavimentação e na construção civil, além de água mineral

A produção mineral de Lençóis Paulista é atribuída a pedreira Diabásio, localizada no distrito de Alfredo Guedes, mas a região tem produção também em Barra Bonita, Dois Córregos, Promissão, Lins, Cafelândia e Mineiros do Tietê.

No ano passado, depois de Bauru como maior produtor de água mineral na região, o município lençoense foi o segundo que mais arrecadou com a CFEM. Juntos, Bauru, Pederneiras e Lençóis foram os responsáveis por 4% de toda a movimentação mineral no Estado, o que corresponde a R$ 123 milhões, conforme dados fornecidos pela Secretaria de Energia e Mineração do Estado. As três cidades produzem água mineral e brita.

De acordo com o economista e diretor de Agricultura e Meio Ambiente de Lençóis, Fábio José Esguícero, o município possui em atividade, desde 2007, uma pedreira que comercializa vários tipos de brita utilizada na construção civil.

A produção mineral, próximo ao distrito de Alfredo Guedes, é realizada em uma jazida que já foi objeto de exploração e produção de brita na época da duplicação da rodovia Marechal Rondon.

Conforme Esguícero, a empresa levou em consideração a infraestrutura do local e o fácil acesso às rodovias da região para escoamento da produção, atingindo um raio de municípios e clientes de até 100 km. A vida útil da jazida é de 30 anos.

As empresas que atuam neste setor são obrigadas a recolher a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais junto à União.

O diretor de Agricultura e Meio Ambiente explica que a compensação é uma contraprestação paga ao governo federal pelo aproveitamento econômico desses recursos minerais e regulamentadas pelas leis nº 7.990/1990 e 8.001/1990.

"A empresa recolhe essa compensação tendo como base seu faturamento líquido e a União repassa 65% dessa arrecadação aos municípios que possuem empresas que exploram a atividade de mineração", explicou Esguícero.

Na região estão em atividade a Pedreira Nova Fortaleza de Pederneiras, Ponte Pedras em Guaianas, São Tomáz em Jaú, Pedreira Botucatu no município homônimo e Pedreira Itatinga.

"As empresas deste setor podem ser consideradas como um termômetro da economia, pois quando a atividade da construção civil está em baixa, estas empresas estão diretamente afetadas e consequentemente, o volume recolhido através do CFEM também diminui", observa o economista Esguícero.

Retração econômica faz cair produção de brita em todo Estado

A retração econômica tem reduzido a produção de brita em Lençóis em até 30% do volume. "Nessa crise falta cliente. O principal problema foi na construção civil. Houve paralisação de muitas obras e o pessoal privado não está investindo. Isso afeta diretamente aqui", diz o gerente da Pedreira Diabásio, Lucas Antonio Lopes.

A Secretaria de Energia e Mineração confirma essa tendência de queda no Estado ao citar que, em 2016, a arrecadação paulista da CFEM foi de R$ 57,6 milhões, uma redução de 5,3% em relação a 2015, quando alcançou R$ 60,9 milhões.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria, cerca de 70% da produção mineral do Estado se concentra em quatro grupos de grande participação na indústria da construção: brita, areia, calcário e argila. O mineral que teve maior impacto negativo na produção foi a brita, que sofreu uma redução de 6% comparado com o ano anterior. A areia, calcário e argila se mantiveram estáveis, de acordo com o levantamento da Secretaria de Energia.

O gerente da pedreira de Lençóis observa também que a região não comporta o número de pedreiras em atividade. "É muita pedreira, principalmente agora nesse período de retração. É muito concorrido, o que movimenta as pedreiras são obras, principalmente a de rodovias quando há pavimentação asfáltica. Quando não tem, fica só o mercado de concreteira, isso faz sobrar pedra para o mercado".

A pedreira Diabásio está em atividade há 10 anos, mas antes ela esteve um período desativada e foi reaberta pela empresa que executou na década de 90 a duplicação da rodovia Marechal Rondon. A vida útil da jazida de basalto está estimada em 30 anos. Assim que terminou a obra da Rondon, a pedreira foi desativada pela empresa pavimentadora até os atuais empreendedores reativarem.

A empresa processa pedra 1, pedrisco, pó de pedra, pedra rachão, pedra 5/8 e brita graduada simples, todos materiais utilizados na construção civil.

Há, no entanto, perspectiva melhores com a concessão de duas rodovias pelo governo do Estado com previsão de duplicações, uma delas é a SP-255 no trecho de Jaú-Barra Bonita e a SP-333. "Vai melhorar, porque o volume é alto quando tem pavimentação", ressaltou Lopes. A Diabásio faz parte de um grupo que tem outras pedreiras em Piraju, Santa Cruz do Rio Pardo, Paraguaçu Paulista e três cidades no Estado do Paraná.

Bauru é o 2º maior produtor de água mineral

A água mineral agrupa 20 tipos diferentes de substâncias relacionadas à exploração deste tipo de mineral. De acordo com relatório da Secretaria de Energia e Mineração, esse setor representa 17% da arrecadação da CFEM do Estado, totalizando R$ 9,7 milhões.

A exploração da água mineral no Estado está presente em 87 dos 645 municípios. Com a nova tendência de buscar produtos mais naturais, o refrigerante vem sendo deixado de lado e a água tem despertado mais interesse de consumo.

Bauru, por exemplo, é o segundo dos 10 municipais com maior arrecadação da CFEM no ano passado e suplanta até a estância de Águas de Santa Bárbara, com quatro empresas. A líder é duas empresas de Campos do Jordão que tem participação de 19% na receita, Bauru é a segunda com 16%.

'Cidade dos cânions' extrai areia

Extração mineral feita em Bofete encontra boa aceitação na construção civil na Região Metropolitana de São Paulo

Uma estreita faixa de escarpas formada por arenitos avermelhados iguais a cânions rodeiam o município de Bofete, na região de Botucatu. Essa formação, devido à resistência a erosão levou milhares de anos esculpindo colinas e montes em um declive não simétrico - suave de um lado e íngreme do outro. Essa característica geológica é rica em mineral, principalmente areia de grande aceitação na Região Metropolitana de São Paulo, utilizada na construção civil.

A paisagem tem semelhança com cânions americanos, vales profundos com encostas quase verticais, que podem se estender por centenas de quilômetros e atingir até 5 mil metros de profundidade. No município de Bofete afloram cinco formações rochosas da Bacia do Paraná.

Diante disso há atividades minerais desenvolvidas por mais de 10 mineradoras principalmente nos arenitos da Formação Pirambóia, se estendendo em 88% do território municipal, estando grande parte na Área de Proteção Ambiental (APA).

O secretário Municipal de Turismo de Bofete, José Antonio Nicola, cita que a cidade é uma das grandes produtoras de areia do Estado extraída do solo e não somente de rio. É um setor que gera receita de impostos e empregos. "Tem problema ambiental sim, mas traz emprego de grandes mineradoras, no entanto, uma delas a sede fica em Jandira, diante disso a grande parte do recolhimento fica naquele município. A receita nossa é proveniente de notas fiscais de saída sobre a extração", cita Nicola.

Apesar do potencial para mineração, a silvicultura é o setor mais forte da economia de Bofete. "No nosso território temos uma grande empresa de laranja, porque o solo arenoso ajuda a produzir fruto para exportação. Mas 50% da areia de uma grande empresa de São Paulo é produzida aqui no município", comenta.

A Secretaria de Energia e Mineração já produziu 21 Ordenamentos Territorial Geomineiro (OTGMs). Na região de Bauru e Botucatu, Bofete é o único que tem esse levantamento completo elaborado em 2009 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

De acordo com a Secretaria, para visar uma produção regulamentada e em conformidade com o meio ambiente, esse estudo oferece bases técnicas para estabelecer o zoneamento minerário dos municípios. A assessoria de imprensa explica, por meio de nota, de que esse instrumento pode ser utilizado pelas prefeituras como parâmetro para realizar seus planos diretores.

No OTGM de Bofete aponta que município tem grande potencial geológico e pode se beneficiar da expansão com a escassez gradativa na oferta da areia em outras regiões produtoras (associada à exaustão de reservas ambientais, conflitos com outras formas de uso do solo).

Meio ambiente equilibrado

O subsecretário de Mineração, José Jaime Sznelwar, declarou por meio da assessoria de imprensa que a intenção é aumentar a atividade minerária nos municípios paulistas gerando extensa cadeia produtiva com a geração de empregos, insumos e preços competitivos, mas dando uma correta redestinação às área lavradas.

Entre as principais atividades que pode ser realizadas pelas prefeituras visando uma produção regulamentada e em conformidade com o meio ambiente, segundo ele, é o Ordenamento Territorial Geomineiro (OTGM).

Pioneira na prospecção de petróleo

A primeira prospecção de petróleo no Brasil ocorreu em Bofete feita por um grupo liderado pelo fazendeiro Eugênio Ferreira de Camargo, entre os anos de 1897 e 1901, porém não achou o suficiente para explorar o óleo comercialmente.

De família muito rica, ele foi estudar no exterior, onde decidiu investir na sondagem de petróleo no Brasil. Depois de adquirir a licença junto ao governo para procurar o produto na região de Bofete, já que havia comprado uma fazenda por lá, ele importou uma sonda e contratou um técnico americano, além do naturalista belga Auguste Collon, para fazer a perfuração e análise do conteúdo de um poço de 448,5 metros de profundidade, o maior até então.

Apesar dos esforços foram encontrados apenas dois barris de óleo e água sulforosa. O petróleo descoberto tinha 1,09% de gasolina, 15,5% de querosene, 13,24% de diesel, 13,20% de lubrificante e 22,72% de graxas, mas nada de benzol, afastando, portanto, a origem relacionada à matéria carbonosa. A fonte de água sulforasa fica em uma fazenda no quilômetro 171 da rodovia Castello Branco, onde funciona um complexo turístico que aluga suas instalações para eventos. No inventário feito pelo IPT para o zoneamento minerário constatou que Bofete tem potencial para exploração da água mineral, mas por enquanto só a extração de areia tem mais interesse comercialmente.

Você sabia?

Brita é um material classificado como agregado de origem artificial, de tamanho graúdo. É muito utilizada na fabricação de concretos, no lastro de rodovias e outras obras da construção civil, antes desse processo é também chamada de basalto, uma pedra de origem ígnea ou magmática. Este tipo de rocha é facilmente encontrada em todo Brasil. A classificação do tipo da brita é de acordo com seu diâmetro. É classificada de 0 a 5 em ordem crescente.

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Fonte: http://www.ariquemesonline.com.br  

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