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Falta de abastecimento de água é problema antigo e sem solução em Manaus

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Em alguns bairros da capital, o abastecimento só ocorre no período da manhã e por, no máximo, duas horas. Mas, em outros, a 'sabatina' começa de madrugada

Você tem uma lista de atividades diárias? Moradores de alguns bairros de Manaus têm e o primeiro compromisso do dia é armazenar água. Estranho? Não para milhares de pessoas que sofrem com o fornecimento precário de água na capital amazonense. Em alguns bairros, o abastecimento só ocorre no período da manhã e por, no máximo, duas horas. Mas, em outros, a “sabatina” começa de madrugada.

Há 17 anos, a aposentada Huga Geber, 62, sofre para conseguir guardar alguns litros de água em casa. Ela acorda todos os dias às 5h30 para cumprir o primeiro compromisso do dia: encher os tanques. “Não acredito que moro no Amazonas, um Estado rico em água, e tenho que acordar de madrugada para encher esses tanques, caso contrário passo o dia sem água. Não é um problema novo, eles sabem que existe”, criticou Geber, que mora na rua Bombaim, no conjunto Nova Cidade, Zona Norte da cidade.

A aposentada é hipertensa, sofre com má circulação de sangue nas pernas e tem glicose alta. Apesar dos problemas de saúde, ela desobedece as recomendações médicas e se esforça para carregar água para manter a casa limpa e para o banho. “Fico muito exausta carregando água, mas se eu não fizer, ninguém fará por mim. Tenho cachorros, tenho que lavar o pátio por causa do odor, eles são minhas únicas companhias e todo esforço para manter tudo limpo vale a pena”, disse.

Santa chuva

Uma das estratégias da idosa para não ficar sem água é recorrer a um antigo método: aparar água da chuva, que é usada para lavar os pátios, passar pano na casa e lavar os banheiros. Contudo, no verão a aposentada fica refém do “escasso” fornecimento da Manaus Ambiental e da caridade de alguns vizinhos que possuem poço artesiano. “Meus baldes ficam a postos todos os dias: aparo água da chuva e guardo. O problema fica grave quando estamos no verão, pois a quantidade de água reduz bastante e fico dependo dos meus vizinhos que têm poço artesiano, mas nem sempre eles estão em casa”, contou.

Além de terem água nas torneiras apenas por algumas horas, os moradores reclamam da baixa pressão da água, que não é suficiente sequer para encher uma caixa d’água a quatro metros de altura, o que gera ainda mais dificuldades.

Uma vida inteira ‘sem puxar a descarga’

Outra moradora da rua Bombaim, no Nova Cidade, Zona Norte, que sofre com a escassez de água é a dona de casa Célia Nascimento, 55, que nunca soube o que é tomar banho no chuveiro e ‘puxar’ a descarga do vaso sanitário. “A água não tem força para subir. Encho vários baldes e tenho um tanque de 400 mil litros no banheiro. Sinto uma tristeza muito grande por não poder nem usar meu chuveiro e ter que tomar banho com copos”, disse.

A dona de casa contou que a única torneira da casa dela que é usada fica a menos de 30 centímetros do chão porque a água não tem pressão suficiente para alcançar todas as outras. Lavar louça na pia com água saindo direto da torneira é um luxo para ela “Tudo que faço aqui é levando aos poucos, com copos e baldes, para lá e para cá”, contou.

Célia também disse que tem problemas de saúde e fica exausta com esse trabalho todo. “É humilhante porque a minha parte eu faço, pago as contas em dia”, disse.

Na rua Bombaim, a maioria dos moradores têm mais de dois tanques de 500 mil litros para não ficar sem água, mas nem sempre é suficiente. “A água chega e passa duas horas só, você tem que ficar esperto, senão fica na secura e precisa contar com a compaixão dos vizinhos”, disse.

Rotina cansativa de moradores do Morro

O professor Marcondes dos Reis, 53, é morador do bairro Morro da Liberdade, na Zona Sul, há 37 anos e passa por dificuldades com a falta de água diariamente. A casa da família, onde moram seis pessoas, fica localizada na rua Tobias Barbosa, uma área mais altas do bairro, onde os moradores são mais prejudicados pela baixa pressão da água. “É um problema antigo e de todos aqui nessa parte do bairro. A água chega por volta das 5h e vai embora 8h e o pior é que não tem pressão suficiente para subir e encher os tanques”, contou.

Até alguns meses atrás, a rotina da família incluía subir vários degraus para levar água para os andares de cima da casa. “Era muito cansativo. Acordar e correr para encher os baldes e levar lá para cima. Meus pais são idosos e minha mãe está operada, então tudo se torna mais difícil, porque a gente não pode ficar sem água”, disse.

Cansados da rotina e sem orçamento para mandar furar um poço artesiano, a família investiu na compra de uma bomba de água. “Tem esses tanques aqui em baixo e a bomba joga essa água lá para cima, mas a gente tem que ficar esperto para abrir as torneiras de madrugada”, contou.

Falta de energia afeta rede de água

A Manaus Ambiental informou que o abastecimento dessas localidades está prejudicado por conta da constante falta de energia elétrica, que impede que os reservatórios de água alcancem o nível ideal para distribuição.

Em relação a rua Tobias Barbosa, no bairro Morro da Liberdade, a concessionária informou que o sistema de distribuição está funcionando dentro da normalidade, mas encaminhará uma equipe para fazer uma vistoria.

A Manaus Ambiental também informou que está investindo em melhorias e uma delas está contemplando a melhoria na rede de distribuição, que irá melhorar o fornecimento de água da Zona Norte da cidade.

Serviço precário, diz Arsam

O diretor-presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam), Fábio Alho, classificou o serviço prestado pela Manaus Ambiental como ‘precário’. Este ano, a Arsam sugeriu à Prefeitura uma multa de R$ 1,4 mi à concessionária, por conta dos problemas.

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Fonte: www.acritica.com  

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