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Perfuração de Poços   

Dicas para construir um poço tubular profundo.

1. Introdução

      Informação é fundamental para a tomada de decisão. Atualmente, não dá para decidir apenas por intuição. No caso de uma empresa, tem-se de saber de sua rentabilidade, liquidez, solidez, participação no mercado, imagem pública, posição em relação à concorrência etc. Por outro lado, o cliente está bem informado e é exigente. Assim, a sobrevivência de um empreendimento depende em registrar-se os dados de interesse, obtidos pelo próprio funcionamento da empresa, e dar-lhes o tratamento correto. Com isto, ter-se-á a informação adequada, necessária e suficiente para a segurança na tomada da decisão.

      Os meios para o controle e o tratamento da constituição, do funcionamento e da liquidação de uma empresa são providos pela Contabilidade. Trata, pois, da constituição, da evolução e do registro do patrimônio. Um dos elementos fundamentais para a manutenção e o acréscimo de patrimônio é o ressarcimento dos gastos que a empresa incorre para a produção e o funcionamento. Assim, o estabelecimento da estrutura de gastos e a conseqüente determinação da composição de preços são atividades fundamentais para qualquer atividade empresarial. É uma atividade complexa e individualizada, pois perfis de gastos e de preços serão função de como e onde cada empresa constitui-se e atua, além dos princípios filosóficos e econômico-financeiros com os quais a empresa se orienta. Mas têm aspectos comuns.

      O objetivo de uma empresa é manter-se no mercado, princípio básico da Biologia. Mas, por outro lado, vale a lei básica da Física, a empresa não cria dinheiro, apenas transforma sua produção. Ou seja, do total dos capitais disponíveis no mercado, para a atividade específica, a empresa tem que se esforçar para captar um montante tal que permita sua existência, no mínimo. Assim, sua produção - mercadoria ou serviço - deve ser vendida a preços e a quantidades tais que permitam tanto a cobertura dos gastos incorridos na atividade produtora, como a geração de capital que cubra os imprevistos e a margem de lucro que permita usufruir os resultados do trabalho. O cálculo dos gastos é, pois, fundamental na formação dos preços. Com isto sabe-se se a empresa segue uma trilha saudável ou se descapitaliza-se e desorganiza-se. Também, tendo-se este controle, dá para avaliar se os preços da concorrência são compatíveis com a atividade e até quanto dá para negociar com o cliente. Com isto a empresa sabe sua posição relativa no mercado e também em relação à concorrência. Ainda, dá para saber da importância relativa de cada item individual na composição final do preço e da rentabilidade de cada produto. Ou seja, é um elemento básico de informação para o estabelecimento e o controle de estratégia na empresa - outro seria o fluxo de caixa.

2. Metodologia

      O presente trabalho pretende, apenas, ilustrar como estabelecer o preço em função da estrutura de gastos, de uma maneira geral mas de fácil aplicação. Ou seja, algo facilmente implementável por qualquer empresa em qualquer lugar, tendo esta um mínimo de organização e de controle. A metodologia proposta baseia-se em parâmetros simples e permite adaptação às características individuais da empresa. Tal metodologia serve como indicação de planejamento e de controle; mas, se bem adaptada aos procedimentos da empresa em questão pode ser usada como determinante dos gastos e dos preços efetivamente exercidos. Serve, também, para planejadores e tomadores de decisão para comparar os preços das propostas; ou para os empreendedores para decidir sobre investimento, ao iniciar ou ao ampliar o negócio.

      A metodologia exposta estabelece o preço pré-venda. A fixação do preço de venda - o preço final - dependerá de outros fatores, não expostos nos cálculos aqui, pois não cabem: fazem parte do lado empresarial do empreendedor. É parte da missão da empresa e da estratégia conseqüente. Assim, o preço de venda é tarefa complexa, pois devem ser considerados vários outros fatores, além dos gastos e margens, como: características da demanda na área de atuação da empresa; existência de concorrência; comportamento dos concorrentes; relacionamento com os concorrentes; imagem pública da empresa etc. De qualquer maneira, a empresa não pode vender por um preço abaixo do custo, a não ser em situações excepcionais e claramente definidas.

      Segue-se aqui o sistema global (ou por absorção) de estabelecimento do custeio. Parte-se das premissas de que os dados a servirem de alimentação do programa deveriam ser suficientemente simples, em número pequeno e de obtenção fácil, e de que o programa fosse suficientemente geral para que abrangesse um espectro amplo de possíveis interessados, aí incluídas as variações facilmente quantificáveis. Assim, é necessário, apenas, fornecer dados referentes a seis parâmetros, comuns em qualquer empresa (Tab. 1): a quantidade de máquinas existentes na empresa; a quantidade total de obras por mês executadas (ou a média de um período de interesse); a quantidade linear perfurada (em metros) equivalente às obras executadas; a distância média entre as obras; a proporção de tipos litológicos perfurados (sedimento x cristalino), no período considerado; o diâmetro médio (ponderado) das obras. Admite-se uma empresa que opere com rotopneumáticas e com capital próprio, sem despesas financeiras, sendo proprietária dos móveis e imóveis; também, a obra é entregue sem a bomba e as respectivas instalações; ou seja, são providos: locação, perfuração, completação, testagem (hidráulica e sanitária) e relatório.

3. Cálculo

      O caso exemplificado (Tab. 1) é o de uma empresa que tem três perfuratrizes, tendo feito dezoito obras no mês em questão, num total de 2.700 m - em média, 150 m cada obra -, em oito polegadas, em litologia que necessitava um projeto de poço completo (sedimento), com revestimento, filtro e préfiltro, com uma distância média entre as obras de trezentos quilômetros. Mas, se o caso fosse de a metragem perfurada ser 1.500 m em sedimento e 1.200 m em rocha dura, o valor de entrada em Litologia seria 0,56; no caso de somente em cristalino: 0,00. Também, se fossem 1.500 m em oito polegadas e 1.200 m em seis polegadas, o número a ser inserido em Polegagem seria: 7,11. Ainda, se em vez de dezoito obras, teriam sido completadas dezessete sendo uma com um quarto realizado, o número em Obra/Mês seria: 17,25. Para melhor adaptar-se ao caso específico da empresa, a coluna Unitário (Tab. 2) poderia ser corrigida ao valor local. Assim, uma vez inseridos os seis parâmetros básicos - e as possíveis correções de custos unitários - automaticamente a Tab. 2 é preenchida nas colunas Mensal, Obra e Percento, que discretiza os gastos, sendo também deslanchada a Tab. 1, que integra os valores.

      Analisando-se as percentagens para o caso específico apresentado (Tab. 2) vê-se que os maiores gastos estão em, por ordem: Materiais (49,46 %); Tubos (22,98 %); Pessoal (21,66 %); Outros (13,36 %). Note-se que os itens individuais em percentagem são pequenos, exceto alguns do grupo Materiais e o referente a Testes. Três itens individuais perfazem cerca de 45 % do total do custo básico: Tubos, Filtros e Testes. Pela síntese operacional (Tab. 1) nota-se que o investimento inicial deveria ser de R$ 3.085.415, sendo R$ 247.515 em capital de giro. A empresa teria uma receita mensal de R$ 387.221, sendo as referentes ao ressarcimento dos materiais diretos as maiores entradas, como era de se esperar. O lucro líquido da operação mensal seria de R$ 37.727, tendo a empresa uma lucratividade de 10 %, havendo uma entrada ao caixa de R$ 89.763. Nestas condições o custo da obra individual seria de R$ 21.512, sendo o custo por metro de R$ 143. Ou seja, um preço competitivo - talvez um pouco alto. Idealmente, uma empresa saudável e altamente eficiente.

      Para comparar, se usarmos os mesmos dados, alterando apenas o tipo litológico, ou seja, agora a empresa perfuraria somente em rocha dura (Litologia = 0,00). Neste caso, apenas consumiria revestimento na parte superior do furo, o preço de cada obra seria de R$ 13.965, sendo R$ 93 por metro. Ter-se-ia uma lucratividade de 13 %, com receita mensal de R$ 251.372 e lucro líquido de R$ 33.623. Os maiores gastos seriam com tubos (17,52 %), testes (16,69 %) e diárias (11,63 %), perfazendo 46 % do preço básico. Isto ilustra também uma tendência: a lucratividade aumenta bastante quando o material perfurado é rocha dura. Ilustra também a eficiência da empresa, pois não há onde cortar em gastos, apenas no lucro (se for o caso).

4. Conclusão

      Atrasos nos pagamentos, concordata e falência são possíveis conseqüências do desequilíbrio financeiro de uma empresa. Uma das possíveis causas é a insuficiência de caixa. Para evitar isto é necessário adequar as entradas, tais que sejam suficientes em valor e pontuais no tempo. O presente texto trata da primeira parte.

      Gastos e preços são itens calculáveis. Como foi demonstrado, tais cálculos não é tarefa das mais complicadas. É preciso algum conhecimento técnico e boa dose de paciência, não existindo esquema pronto para toda e qualquer empresa. Há que calculá-los para saber-se de onde vem e para onde vai o dinheiro. Assim, o empresário tem uma radiografia de cada item da produção e verifica imediatamente ineficiências ou quanto um aumento em algum item irá influenciar no preço final.

      Um dos princípios fundamentais da Contabilidade (CFC, 93) é o da Continuidade (que é também em Hidráulica). Tal princípio pressupõe a continuidade indefinida das atividades operacionais de uma entidade. Certamente, foi com tal propósito que a empresa foi originalmente concebida. Assim, há que manter e aumentar o patrimônio com decisões e atividades saudáveis.

Professor Mario Wrege (IPH-Ufrgs)


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